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Enxofre, ácido sulfúrico e ureia dispararam: o que o conflito no Estreito de Ormuz tem a ver com o seu custo

Radar Químico · 27 de agosto de 2026

Em doze meses, o enxofre a granel importado pelo Brasil saiu de US$280 para mais de US$1.000 por tonelada. O ácido sulfúrico mais que triplicou. A ureia subiu forte e depois recuou. Por trás desses números está uma via de navegação a milhares de quilômetros daqui: o Estreito de Ormuz.

Preço médio de importação, Brasil (US$ por tonelada, base FOB)
0250500750100007/25091101/26030507
Enxofre a granelÁcido sulfúricoUreiaSoda cáustica líquida

Julho/2025 a julho/2026. Preço médio calculado sobre valor e peso importados por NCM. Meses de volume baixo podem oscilar mais. Fonte: Comex Stat/MDIC, organizado no Radar Intel.

O que aconteceu com cada produto?

ProdutoJul/2025PicoJul/2026Variação no período
Enxofre a granelUS$280/tUS$1.074/t (jun)US$1.067/tpróximo de 4x
Ácido sulfúricoUS$110/tUS$353/t (jul)US$353/tmais que 3x
UreiaUS$401/tUS$586/t (jun)US$418/tsubiu e recuou
Soda cáustica líquidaUS$254/tUS$254/tUS$246/testável

Qual a ligação com o Estreito de Ormuz?

O Estreito de Ormuz é o corredor por onde passa boa parte do petróleo, do gás e dos fertilizantes do Golfo Pérsico. Com o conflito iniciado em fevereiro de 2026, a navegação na região travou. O Golfo responde por quase um quarto das exportações globais de ureia e por parcela relevante do enxofre mundial, segundo o Banco Mundial e a OMC. Quando o Catar suspendeu produção de ureia, amônia e enxofre e o Irã parou linhas de amônia, o mundo inteiro sentiu o aperto na oferta.

O enxofre já vinha em alta gradual desde o fim de 2025, e o conflito acelerou o movimento a partir de fevereiro de 2026. Ele carrega o efeito para o ácido sulfúrico, que é feito a partir dele. Por isso os dois sobem quase juntos. A ureia depende de gás natural e também é produzida no Golfo, o que explica o salto entre março e junho de 2026. A soda cáustica seguiu outra lógica, ligada à indústria de cloro e soda e à energia elétrica, e por isso ficou de fora do movimento.

De onde o Brasil está trazendo o enxofre agora?

Os dados de 2026 mostram o mercado se reorganizando. As principais origens do enxofre importado pelo Brasil no ano são Cazaquistão (35%), Estados Unidos (29%), Turcomenistão (15%), Índia (8%), Canadá (6%) e Kuwait (6%). A subida dos Estados Unidos como fornecedor é um sinal claro de compradores buscando rotas fora da zona de tensão.

Acompanhe pelo Radar Intel: preço atualizado, histórico de 25 anos e origens de cada produto, no mesmo lugar.

O que o comprador faz com essa informação?

  • Reajuste esperado deixa de ser surpresa. Você entra na negociação sabendo que o patamar mudou.
  • Origem importa. Produtos ligados ao Golfo carregam mais risco de prazo e preço agora.
  • Nem tudo subiu. Onde o mercado está estável, uma cotação alta merece contestação.

Fontes: preços de Radar Intel (base Comex Stat/MDIC). Contexto do conflito: OMC, Banco Mundial, IFPRI, CNBC.

Perguntas frequentes

Por que o preço do enxofre subiu tanto em 2026?

A oferta apertou. Boa parte do enxofre mundial vem do Golfo Pérsico, e o conflito no Estreito de Ormuz interrompeu embarques a partir de fevereiro de 2026. Menos produto disponível, preço mais alto. No Brasil, o preço médio de importação saiu de US$280 para mais de US$1.000 por tonelada em doze meses.

A ureia vai continuar subindo?

A ureia subiu até junho de 2026 e recuou em julho, para cerca de US$418 por tonelada. O rumo depende da normalização dos embarques no Golfo. Acompanhar o preço mês a mês, como no Radar Intel, é a forma prática de não ser pego de surpresa.

Onde vejo o histórico completo desses preços?

No Radar Intel, que reúne mais de 25 anos de preços de importação por NCM a partir dos dados oficiais de comércio exterior.